18 August, 2019

Pagando Por Sexo, um quadrinho que vai contra o senso comum

O assunto da prostituição, delicado e polêmico, não poderia ter sido abordado de forma mais convincente do que em Pagando Por Sexo, graphic novel autobiográfica de Chester Brown, que não teve problema algum em transformar suas relações com garotas de programa em uma obra que merece atenção pelos tópicos levantados.

Para Chester o amor romântico é apenas obra da indústria cultural e que o mesmo é prejudicial, pois, diferente dos outros tipos de amor, é possessivo, ciumento e mesquinho. Com este pensamento, logo após o termino de um namoro, Chester se vê num dilema: o de transar sem precisar namorar ou se envolver afetivamente com alguém.

img007Lançado em 2012 o quadrinho intriga, não pelos desenhos simples e narrativa de fácil entendimento, mas sim pelo contexto geral e pelos diálogos dos personagens que muitas vezes se tornam complexos. Os amigos , outros quadrinistas que trabalharam junto com Chester, não conseguem aceitar a escolha dele pelo sexo pago, sendo graças ao preconceito ou pelo incômodo em relação a vida sexual/conjugal deles próprios. Nesses diálogos com os amigos é que Chester levanta pontos importantes como a visão sobre o amor, casamento, sexo e prostituição, que vão contra o senso comum.

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Até mesmo Bruna Surfistinha, na época, disse que leu a obra e que a mesma deveria ser : “Leitura obrigatória nos prostíbulos”.

Em 284 páginas, Chester Brown narra seus encontros com diversos tipos de “garotas da vida” descobrindo todos os motivos que as fazem entrar nesse ramo, desde a necessidade de dinheiro à escolha voluntaria da profissão de acompanhante de luxo.

O interessante é que o nome das mulheres é alterado e em nenhum momento seus rostos aparecem nos quadrinhos, mas o desenho se mantém fiel aos seus corpos, mostrando a diversidade de garotas e suas peculiaridades no ramo.


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No posfácio Chester nos dá um texto inteligente em que diversos tópicos são colocados em pauta, como, por exemplo: A normalização da prostituição; direitos sexuais; você é dono do seu corpo; os clientes não compram as mulheres; a influência do dinheiro; entre vários outros apêndices.

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“Pagando por sexo é pessoal, intenso e dolorosamente sincero.
A HQ atingiu a maioridade quando autores como Chester Brown começaram a fazer quadrinhos para adultos.” Neil Gaiman

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Uma obra inteligente e envolvente que nos dá pontos de vista diferentes do senso comum.

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