Em Madri, uma juíza determinou determinou que o corpo do pintor surrealista Salvador Dalí, falecido em janeiro de 1989 e sepultado no Teatro-Museu Dalí em Figueres (Girona, Espanha), seja exumado para que possam ser realizadas coletas de amostras, com o intuito de fazer testes de DNA para descobrir se Pilar Abel, uma mulher espanhola nascida em 1956, é filha do artista. O teste de DNA do cadáver de Dalí é necessário por conta da ausência de outros traços biológicos ou pessoais que permitam uma comparação com as características de Abel, segundo a magistrada.

Em seu texto, a juiza María del Mar Crespo considera “necessária a prova biológica da investigação sobre a paternidade de María Pilar Abel Martínez em relação a Salvador Dalí Domenech”, pois segundo ela “não existem vestígios biológicos nem objetos pessoais a partir dos quais se possa realizar o teste no Instituto Nacional de Toxicologia”.

Uma ordem deve ser expedida ao tribunal de Figueres para que um médico forense faça a coleta de amostras do cadáver do pintor, enviando ao Instituto de Toxicologia, responsável pela investigação do caso. Enrique Blánquez, advogado da suposta filha afirma que a exumação pode acontecer já no mês de julho.

Pilar Abel em sua casa, 2015. Foto: Marta Rodríguez

Pilar Abel Martínez vem lutando desde 2007 para ser reconhecida como filha de Salvador Dalí. Sua mãe, que era natural de Pineda del Mar, em Barcelona, contou-lhe que teve uma relação escondida com o pintor em Port-Lligat, onde ela trabalhava como empregada para uma família que frequentava a residência apenas durante algumas temporadas. Em 1955, ela deixou o emprego e voltou para o município de Castelló d’Empúries, onde se casou e deu à luz Pilar Abel depois de alguns meses.

Pilar conta que sua avó paterna foi a primeira a lhe falar sobre isso, repetindo em diferentes ocasiões: “sei que você não é filha do meu filho, que você é filha de um grande pintor, mas amo você da mesma maneira”, acusando-a de ser “esquisita como seu pai”.

“Tenho esperança de que, depois de três testes de DNA, dos quais nunca vi os resultados, desta vez iremos até o fim”, disse Pilar ao El País em 2015, quando sua ação foi admitida. Caso venha a ser reconhecida como filha do pintor, Abel terá direito de usar seu sobrenome, bem como de receber direitos de autor, embora isso tudo vá depender de um outro processo.

A Fundação Gala Dalí não quis se pronunciar sobre a decisão judicial até o momento, segundo informou sua assessoria de imprensa.

Fonte: EL PAÍS