A arte nostálgica de Shane Berkery

Vários dos artistas que conhecemos hoje criam suas pinturas a partir de fotografias, mas nem todos usam fotos capturadas por membros da família. O pintor japonês Shane Berkery usa momentos espontâneos que seu avô fotografou da vida cotidiana nos anos 1950 e 1960 no Japão. Na época, o país estava passando por uma visível ocidentalização do pós-guerra e as fotos capturam um choque cultural e estético entre o velho e o novo Japão, especialmente no modo como as pessoas se vestem. Como produto da herança japonesa e irlandesa, Shane, que agora vive em Dublin, está familiarizado com os espaços onde as culturas orientais e ocidentais se encontram.

Shane nasceu em Tóquio, morou em Ohio e Virgínia nos Estados Unidos até os sete anos, quando sua família se mudou para o Japão. Sete anos depois, se mudam novamente para a Irlanda. Olhando para essas duas grandes transições, ele diz: “Em ambos os casos, a mudança cultural foi enorme – tudo, desde linguagem e maneiras até estrutura e expectativas sociais, eram completamente diferentes, e eu claramente não queria ser ‘o estrangeiro'”.

Quando Shane escolhe uma fotografia para pintar, procura uma imagem na qual o público possa sentir a presença e o peso do assunto. Enquanto o seu trabalho está relacionado com a figura humana, curiosamente ele pinta rostos com pinceladas mais largas e menos definidas e processa um detalhe como o tecido e a roupa de forma tão meticulosa que é como se pudesse alcançá-lo e tocá-lo. É semelhante a como um fotógrafo colocaria o foco em uma área específica do quadro. “Acho que o tecido oferece uma oportunidade na imagem para dar à figura uma sensação real de fisicalidade”, diz ele.

“Eu vejo isso como um dispositivo visual na criação da sensação de presença. Um rosto pode ser muito específico e pessoal, e não deixa espaço para a imaginação vagar ”.

Os rostos “inacabados” também têm outra função, conjurar a sensação de tentar recordar um sonho, quando a memória é mais profunda do que o que se pode acessar conscientemente. “Eu quero que o espectador visceralmente sinta que a figura é real, como em sonhos e memórias em que os detalhes desaparecem, mas o reconhecimento está presente” – afirma o artista.

Confira algumas obras:

Fonte: WeTransfer

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Designer gráfico, músico e fundador do INSPI. Sempre em busca de evolução criativa. De Curitiba para o mundo!

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