Uma nova exposição em Brasília convida o público a olhar para o passado para compreender pressões que seguem presentes no cotidiano. Na mostra da artista Akimi Watanabe, a história dos chamados “Pés de Lótus”, prática milenar chinesa que mutilava mulheres em nome de um ideal de beleza, surge como ponto de partida para discutir até que ponto ainda aceitamos ser moldados por estruturas sociais.
Filha de pioneiros japoneses na capital federal, Akimi transforma esse episódio histórico em reflexão contemporânea. Durante séculos, meninas chinesas foram submetidas a dores intensas para que seus pés fossem deformados e associados a elegância e status, em um processo que limitava mobilidade, autonomia e participação social.

Com curadoria de Rogério Carvalho, a artista dedicou quatro anos de estudo e pesquisa ao tema. O resultado é uma produção extensa e sensível, formada por 100 desenhos em nanquim sobre algodão, cinco colagens digitais, três instalações, 60 desenhos em nanquim sobre papel, além de objetos e esculturas.
Ao percorrer a mostra, o visitante é provocado a pensar sobre questões atuais: até quando a validação social seguirá influenciando transformações no corpo? Quantas vezes ainda nos adaptamos para caber em expectativas externas, pertencer a determinados grupos ou sermos vistos?
Veja também: Câmara recebe exposição sobre povos indígenas de Santa Catarina
Nesse sentido, a exposição amplia o debate para os dias de hoje. Redes sociais, tendências impulsionadas por influenciadores, discursos distorcidos e padrões de beleza inalcançáveis aparecem como novas formas de controle simbólico, capazes de moldar comportamentos, desejos e identidades.
A exposição está em cartaz de 9 de abril a 12 de maio no Espaço Oscar Niemeyer. As visitas acontecem de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 9h às 17h.