A Apple apresentou nesta semana seus novos Mac mini e Mac Studio, mas foi o comercial do computador compacto que acabou chamando atenção por um motivo que vai além das especificações dos produtos. Em meio à presença cada vez maior da inteligência artificial na produção audiovisual, a campanha apostou em um processo inteiramente manual, construído com esculturas, objetos físicos e animação quadro a quadro.
No vídeo, o novo Mac mini com M6 aparece em diferentes transformações. O pequeno computador ganha braços e pernas e assume a aparência de um personagem musculoso para representar potência e desempenho. Em outras cenas, ele se transforma em máquinas, carros de corrida, foguetes e robôs multitasking, explorando visualmente a versatilidade do equipamento enquanto a narração apresenta suas principais características. Confira:
A campanha também ganhou um making of que revela como essas cenas foram produzidas. O que à primeira vista poderia parecer uma animação digital ou uma produção criada por ferramentas de inteligência artificial, como é cada vez mais comum, foi construído em um estúdio, com objetos esculpidos e montados manualmente. As peças foram posicionadas uma a uma e fotografadas em sequência para criar o movimento.
A conta @Helloapple, ligada à Apple, publicou um pequeno trecho do processo no Instagram. A legenda, “A look at the clay-covered hands that helped craft the launch of the new Mac mini”, pode ser traduzida como “Um olhar sobre as mãos cobertas de argila que ajudaram a criar o lançamento do novo Mac mini”.
No making of, os animadores Justin Rasch e Scott DaRos e o diretor de arte Josh Mahan apresentam os esboços, adereços, esculturas, materiais e técnicas utilizados na produção. O vídeo também mostra trechos em time-lapse, animações em stop motion e imagens dos bastidores, permitindo acompanhar como algumas das cenas foram construídas.
O trabalho exigiu que cada elemento fosse preparado fisicamente e movimentado quadro a quadro. Em vez de recorrer a modelos tridimensionais digitais ou geração por IA, a equipe trabalhou diretamente com materiais, esculturas e objetos reais. Segundo um dos animadores, todo o processo de escultura e criação foi realizado manualmente, sem atalhos.
A produção foi conduzida pelo diretor Justin Rasch e pelo animador Scott DaRos, com participação dos estúdios Blinkink e Stoopid Buddy Stoodios. A direção ficou a cargo de Nicos Livesey, enquanto a campanha foi desenvolvida pela agência TBWA\Media Arts Lab.
A escolha chama atenção justamente pelo momento em que a inteligência artificial passou a ocupar uma parcela cada vez maior dos processos de criação de imagens, animações e vídeos. O comercial da Apple segue na direção oposta. Em vez de acelerar a produção por meio de ferramentas digitais, a equipe investiu em um processo lento, físico e minucioso, no qual cada movimento depende da intervenção direta dos animadores.
O resultado dá ao comercial uma estética própria e deixa visível uma parte do trabalho que normalmente fica escondida atrás da imagem final. O making of transforma o processo de produção em uma atração à parte e mostra que, mesmo diante das novas possibilidades oferecidas pela IA, técnicas artesanais como escultura e stop motion continuam sendo uma escolha relevante para grandes campanhas.
Além da campanha, os novos computadores apresentados pela Apple ampliam a linha profissional da empresa. O Mac mini passa a ser oferecido com M6 e M5 Pro, com foco em desempenho, armazenamento e memória mais rápidos, Wi-Fi 7, Bluetooth 6 e suporte para até três monitores. Já o Mac Studio chega com M5 Max e M5 Ultra, posicionando-se como o desktop mais potente da empresa, com grande capacidade de memória, recursos avançados de IA no próprio aparelho e gráficos de última geração.