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Museu Oscar Niemeyer recebe exposição de arte contemporânea chinesa

Foto: 16.ª Bienal Internacional de Curitiba (Divulgação)

Muito antes de Brasil e China celebrarem oficialmente o Ano da Cultura Brasil-China, em 2026, a Bienal Internacional de Curitiba já aproximava os dois países por meio da arte contemporânea. Desde 2009, artistas, curadores e instituições chinesas integram o evento de forma contínua, consolidando uma das parcerias culturais mais duradouras e relevantes entre a América Latina e a China.

O reconhecimento desse diálogo ganhou forma permanente em setembro de 2017, quando o governo chinês doou à capital paranaense uma estátua em bronze do filósofo Confúcio, criada pelo escultor Wu Weishan e hoje instalada no Centro Cívico como legado da Bienal.

Essa trajetória ganha um novo capítulo na 16ª Bienal Internacional de Curitiba com a exposição “Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza”, em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Integrando o conceito curatorial LIMIARES, a mostra reúne importantes nomes da arte contemporânea chinesa para refletir sobre ecologia, memória, transformação e coexistência, reafirmando a arte como uma linguagem capaz de aproximar culturas e construir diálogos em escala global.

A exposição segue no diálogo entre Oriente e América Latina. Sob curadoria de Xiao Ge e Windy Lv, o percurso estabelece aproximações entre o pensamento oriental – representado pela noção do Dao, entendida como fluxo permanente de transformação – e imagens profundamente presentes na cultura latino-americana, como o rio e o rizoma, metáforas de vida, movimento e coexistência.

Foto: 16.ª Bienal Internacional de Curitiba (Divulgação)

Em comum, essas referências apontam para um mesmo território: o instante em que algo deixa de ser o que era para tornar-se outra coisa. É justamente esse espaço de passagem que define o conceito de LIMIARES.

“O rio nunca pergunta onde estão as fronteiras; ele simplesmente segue seu curso.” A imagem utilizada pela curadora Windy Lv sintetiza a proposta da mostra. Em vez de reforçar diferenças entre culturas, a exposição utiliza a arte como linguagem comum para discutir convivência, sustentabilidade, memória e paz em um mundo marcado por transformações aceleradas e tensões geopolíticas.

Distribuída em três núcleos – Raízes: Caos e Origem, Rizomas: Natureza e Simbiose e Frutos: Civilização e Eco -, a exposição reúne artistas de diferentes gerações cujas pesquisas se materializam em instalação, vídeo, escultura, fotografia e novas mídias. O percurso parte dos mitos fundadores das civilizações para refletir sobre os desafios ambientais contemporâneos e culmina em uma investigação sobre memória, urbanização, identidade e reconstrução cultural.

Entre os destaques estão Xu Bing, um dos artistas chineses mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por suas investigações sobre linguagem, escrita e sistemas culturais; Yin Xiuzhen, cuja produção transforma roupas, fragmentos e objetos descartados em instalações que discutem memória, urbanização e globalização; e Shen Yuan, artista radicada em Paris que desenvolve projetos site specific voltados às relações entre migração, pertencimento e convivência intercultural.

A mostra reúne ainda pesquisas de artistas como Xia Hang, conhecido por suas esculturas de grandes dimensões e estruturas mecânicas lúdicas, Tong Kunniao, que trabalha com objetos descartados para refletir sobre a sociedade de consumo, e Qian Lihuai, responsável por atualizar a tradição milenar da cestaria de bambu em uma linguagem contemporânea.

O panorama apresentado pela Bienal também evidencia a diversidade da produção chinesa atual por meio de artistas de diferentes gerações e linguagens, como Yang Song, Chen Fenwan, Wu Guanzhen, Chen Zhuo, Lin Chenxi, Xue Lei, Che Jianquan, A Duo, Luo Xi, Lu Hang, Wu Qian, Alex Long Yuan, Geng Le e Kalman Pool, cujas pesquisas transitam entre pintura, instalação, escultura, vídeo, performance, arte digital, inteligência artificial, materiais tradicionais e novas tecnologias. Em conjunto, suas obras revelam uma produção artística profundamente conectada às questões ambientais, culturais e sociais que atravessam o mundo contemporâneo

Para a curadoria, a exposição ultrapassa a dimensão artística e assume um papel diplomático. “A cultura é aquilo que nos une, e o diálogo é o que permite que a humanidade mantenha a esperança”, escreve Windy Lv no texto curatorial, ressaltando que Brasil e China encontram na arte um espaço privilegiado para construir aproximações e imaginar futuros compartilhados.

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