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Três álbuns que trazem obras de Jean-Michel Basquiat na capa

Fotos: Wikimedia / Alina Vilchenko (Pexels)

Jean-Michel Basquiat ficou conhecido por transformar telas, paredes e objetos em superfícies carregadas de palavras, símbolos, personagens e referências à cultura urbana. Mas sua relação com a música também ocupou um espaço importante em sua produção. Antes de se tornar um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, Basquiat circulava pela cena underground de Nova York, onde arte, hip-hop, punk, graffiti e música experimental conviviam nos mesmos espaços.

Essa proximidade fez com que o artista também levasse seu vocabulário visual para as capas de discos. Basquiat incorporou à música o mesmo traço espontâneo, áspero e cheio de referências que marcava sua produção artística em telas e paredes.

Entre trabalhos criados diretamente para lançamentos musicais e obras que posteriormente ganharam nova vida como capa, esses três álbuns carregam parte de uma trajetória artística intensa. Continue lendo para saber mais:

1. Beat Bop – Rammellzee e K-Rob (1983)

Lançado em 1983, Beat Bop surgiu da colaboração entre os artistas de hip-hop Rammellzee e K-Rob, com produção e arranjo de Jean-Michel Basquiat. Além de participar da criação musical, Basquiat desenvolveu a icônica capa do disco, marcada pelo preto e branco e por uma combinação de palavras, símbolos e desenhos, como a famosa coroa de três pontas, que traduzem a energia da cena underground nova-iorquina.

Capa do álbum ‘Beat Bop’ com arte de Jean-Michel Basquiat – Fonte: Amazon/Reprodução

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A raridade das primeiras prensagens e a participação de Basquiat transformaram o disco em um item cobiçado por colecionadores, e sua importância musical foi reconhecida em 2017, quando Rolling Stone incluiu Beat Bop entre as 100 maiores músicas de hip-hop de todos os tempos.

2. The Offs – First Record (1984)

Em 1984, Basquiat criou a capa de First Record, da banda The Offs, ligada à cena punk e ska-punk de Nova York. Sobre um fundo preto, aparece uma figura totêmica, semi-esquelética e quase caricatural, encimada por uma coroa de espinhos e apoiada sobre uma pequena forma piramidal.

Capa do álbum ‘Fisrt Record’, da banda The Offs com arte de Jean-Michel Basquiat – Fonte: DiscoGS/Reprodução

Construída apenas com um traço branco, irregular e essencial, a imagem preserva a espontaneidade característica do trabalho de Basquiat. A simplicidade da composição aproxima a capa da estética alternativa e experimental do punk nova-iorquino, evidenciando a linguagem visual de um dos nomes mais marcantes da arte de Nova York.

3. The Strokes – The New Abnormal (2020)

Décadas após a morte de Basquiat, sua arte voltou a ocupar uma capa de destaque com The New Abnormal, de 2020, que marcou o retorno do The Strokes aos estúdios após sete anos. A banda escolheu Bird on Money, pintura de 1981, como identidade visual do disco. Diferentemente de Beat Bop e First Record, porém, a obra não foi criada originalmente para um lançamento musical.

Capa do álbum ‘The New Abnormal‘ com arte de Jean-Michel Basquiat – Fonte: Amazon/Reprodução

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Pintada como uma homenagem ao músico de jazz Charlie Parker, conhecido como “Bird”, Bird on Money reúne a figura de uma ave a palavras, símbolos e referências à cultura norte-americana. Ao chegar à capa do álbum, a obra estabeleceu uma ponte entre o jazz de Parker e o rock alternativo do The Strokes.

Esses três álbuns mostram como a linguagem de Basquiat conseguiu atravessar diferentes cenas musicais e períodos históricos. Do hip-hop underground ao punk e, décadas depois, ao rock alternativo, suas imagens seguem encontrando novas maneiras de dialogar com a música e com a contemporaneidade.

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