16 September, 2019

Entrevista com o artista e ilustrador Emerson Dias

O artista e ilustrador Emerson Dias vive em Hortolândia, interior de São Paulo e vem buscando seu espaço na cena criativa brasileira desde 2013, quando começou no mundo das artes.

Por meio de ilustrações e pinturas, o artista expressa suas ideias e posições, usando elementos próprios e temáticas que nascem das vivências do cotidiano. Ele se apresenta como um artista multimídia, já que suas criações passeiam tanto pelo analógico quanto pelo digital.

Emerson topou trocar uma ideia com o INSPI sobre inspiração, projetos e carreira. Confira essa entrevista exclusiva logo abaixo:

Fonte: Emerson Dias/Reprodução

INSPI: Há quanto tempo você trabalha com arte e como começou?

Emerson Dias: Eu considero o início da minha carreira em 2013. Eu estava no ultimo ano de faculdade e fiz minha primeira arte remunerada para uma palestra que iria acontecer na Faculdade FGV. Foi um sinal que era possível viver daquilo.

INSPI: Atualmente você vive da sua arte? Quais são os maiores desafios na carreira de um artista independente no Brasil?

Emerson Dias: Eu considero relativa essa ideia de viver de arte, por que comigo acontece de uma forma inconstante. Tem mês que consigo viver de arte tem mês que não, então eu vivo nessas fases. Tem fases boas e ruins financeiramente falando, as vezes para complementar a renda, trabalho com design gráfico, as vezes dou aulas ou então faço coisas fora do universo gráfico.

Acredito que há muitos desafios para um artista independente no Brasil, acho que um dos problemas é instabilidade financeira do pais, em um pais de terceiro mundo existem outras prioridades além da arte. As pessoas e os comércios preferem investir em coisas mais concretas que venham trazer retorno imediato, não algo subjetivo como a arte. Outro desafio é a questão de valorização. As pessoas preferem investir em artistas mais consolidados, famosos e com grande público, pois vivemos em uma sociedade que preza por essa imagem. Acho que essa questão de fama e audiência em redes não são parâmetros para dizer que um artista é bom ou não.

INSPI: Como você define a temática da sua arte?

Emerson Dias: Eu defino a temática da minha arte a partir da minha vivência, a partir do que consumo, não me limito em temas para serem abordados. A minha arte é o único lugar no qual sou livre pra retratar o que eu quero, então eu faço de acordo com o que estou vivendo no momento, as vezes faço arte de protesto, as vezes faço artes cômicas, as vezes faço desenhos com temáticas espirituais. Acredito que a arte é como a vida e na minha vida eu sou assim, em constante movimento, as vezes com sorriso no rosto e as vezes com uma pedra na mão.

Porém algumas características se repetem no meu trabalho como os elementos da natureza, faço isso para mostrar a beleza do ambiente que vivemos, como tudo é sagrado e uma forma de contemplação. Outro elemento que se repete no meu trabalho é a questão dos rostos serem como máscaras, isso veio a partir do meu contato com arte cubista, então os personagens possuem rostos neutros que não expressam nada, nem alegria e nem tristeza.

INSPI: Você cria ilustrações de diversas personalidades da música e artes em geral. Como é feita a seleção dos personagens?

Emerson Dias: As vezes eu tenho bloqueios criativos sobre temáticas para desenhar, quando isso acontece eu gosto de desenhar personalidades, eu sempre escolho artistas que conversam com a temática do meu trabalho: rappers, músicos de MPB, samba, personagens de cinema e etc. Então eu me utilizo da imagem dessa personalidade para passar uma mensagem que acho pertinente.

INSPI: Qual é a arte que te dá mais orgulho?

Emerson Dias: As artes que fiz para o CD “Na mão do palhaço” do grupo de rap Primeiramente. Foi um trabalho desafiador, ao mesmo tempo tive muita liberdade pra fazer a minha interpretação do trabalho deles. Eu tenho orgulho desse projeto, pois já acompanhava a música do grupo há quase 5 anos e aí de uma forma natural, me chamaram pra trabalhar em um projeto e muitas pessoas passaram a me conhecer por conta disso.

Arte criada para o disco “Na mão do palhaço” do grupo de rap Primeiramente

INSPI: Quem são seus artistas preferidos?

Emerson Dias: Pablo Picasso, Basquiat, Gustav Klint, Alphonse Mucha, Salvador Dalí, Norman Rockwell, Van Gogh, Frida Kahlo e Lasar Segall.

INSPI: Para você a arte é um ato político?

Emerson Dias: Com certeza, pois para mim tudo é um ato político. Arte pra mim se trata de comunicação e expressão, é uma ferramenta pra você mostrar seus pensamentos, dialogar, expor seus pontos de vista, seus sonhos, sua forma de ver o mundo e de pensar a sociedade como um todo, para mim não tem nada mais político que isso. A partir do momento que você externa algo que está dentro de ti, está fazendo política.

INSPI: Que importância você dá para a arte na formação do indivíduo e da sociedade como um todo?

Emerson Dias: Acho que a arte é essencial na formação de cada um, como foi pra mim, me deu um norte pra seguir, um caminho. Acho que todo mundo tem algo singular e profundo pra mostrar. Algo só seu e que só você sente, por isso acho que todo mundo deve experimentar produzir algum tipo de arte, e consumir todos os tipos de arte. As vezes nosso vocabulário é limitado pra falar certas coisas. A pintura, a musica, a poesia e o teatro são ferramentas pra isso.

Sempre que pessoas vem conversar comigo sobre arte, eu aconselho a produzirem, pois isso funciona como uma terapia, uma ferramenta de autoconhecimento, externar o que a pessoa sente, o que a pessoa pensa, ou sonha.

INSPI: Obrigado pela entrevista e para finalizar, cite uma música, um livro e um filme que você goste muito.

Emerson Dias:
Musica: Mistério do Planeta – Novos Baianos;
Livro: O Poder da Arte – Simon Schama;
Filme: Educação Proibida (Documentário).

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