A comunidade do Morro do Mocotó, em Florianópolis (SC), passou a abrigar uma verdadeira galeria de arte a céu aberto. Ao todo, 60 murais de arte urbana foram criados e espalhados pelas ruas da região, transformando muros da comunidade em grandes telas que exibem personagens, cores e narrativas ligadas à identidade e ao cotidiano local.
As obras fazem parte do projeto Galeria de Arte do Mocotó, idealizado pelo Instituto Cidades Invisíveis. A iniciativa levou artistas de diferentes regiões do Brasil para dentro da comunidade com a proposta de transformar os muros em espaços de expressão, memória e pertencimento. O encerramento da ação aconteceu no último fim de semana, nos dias 7 e 8 de março, marcando a etapa final do projeto.

Onde antes havia apenas paredes comuns do dia a dia, agora surgem composições visuais que dialogam diretamente com o território e com as histórias de quem vive no Morro do Mocotó. Os murais trazem diferentes estilos e linguagens da arte urbana, criando um circuito artístico integrado ao cotidiano dos moradores e visitantes.
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Para a artista Kenia Kuriki, a intervenção no Morro do Mocotó reforçou a relação entre arte e ancestralidade. “Essa experiência também despertou em mim uma conexão muito forte com minha ancestralidade e com aquilo que sinto como missão: voltar aos lugares de onde muitas histórias foram apagadas e usar a arte como ferramenta de transformação, memória e acolhimento”, afirma.

O projeto foi desenvolvido ao longo de três momentos de criação coletiva. A primeira etapa ocorreu em outubro de 2025, seguida por uma segunda fase em dezembro do mesmo ano. Com a conclusão da terceira e última etapa neste mês de março, a comunidade passou a reunir as 60 obras espalhadas por diferentes pontos do bairro.
Pensada como um encontro entre arte e território, a iniciativa busca valorizar a cultura local e fortalecer a relação entre artistas e comunidade, transformando a paisagem urbana e revelando novas histórias por meio da arte.

“Participar do projeto foi uma experiência muito potente. Estar na favela, vivenciar de perto a realidade das pessoas e levar um pouco de cor e arte para aquele espaço tem um significado muito forte para mim.”, contou a artista Aline Ribeiro, conhecida como Tuka.
Esta ação é uma realização do Instituto Cidades Invisíveis com a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e da Fundação Franklin Cascaes, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC).
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