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Exposição marca os 80 anos de Elifas Andreato na Caixa Cultural São Paulo

Com entrada gratuita, mostra “Elifas Andreato — Além da Moldura” propõe uma imersão no universo criativo de um dos mais importantes artistas multidisciplinares do Brasil. - Crédito: Acervo IEA - Instituto Elifas Andreato (Divulgação)

A CAIXA Cultural São Paulo recebe, de 27 de junho a 20 de setembro de 2026, a exposição “Elifas Andreato — Além da Moldura”, dedicada à obra de um dos mais importantes artistas gráficos brasileiros. Com entrada gratuita, a mostra propõe uma imersão no universo criativo de Elifas Andreato, artista multidisciplinar que atravessou música, teatro, imprensa, literatura, artes visuais, cenografia, televisão e cultura popular com uma linguagem visual própria, marcada por força narrativa, compromisso social e profunda identidade brasileira.

Nascido em Rolândia, no Paraná, Elifas Andreato completaria 80 anos em 2026. Designer gráfico, ilustrador, pintor, escultor, cenógrafo, carnavalesco, editor e diretor artístico, construiu uma trajetória que ultrapassou os limites tradicionais das artes visuais.

Sua obra inclui centenas de capas de discos para artistas como Elis Regina, Chico BuarqueMartinho da VilaPaulinho da ViolaClara NunesAdoniran Barbosa, ToquinhoVinicius de Moraes, Tim Maia, Zeca Pagodinho, entre outros, além de cartazes de teatro, gravuras, retratos, ilustrações para livros, jornais e revistas, como o Almanaque Brasil de Cultura Popular, revista mensal distribuída nos voos da TAM Linhas Aéreas entre 1999 e 2014, que difundia, em linguagem leve e criativa, histórias, personagens, saberes e expressões da cultura brasileira.

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A exposição não pretende reunir toda a extensão dessa produção, mas apresentar um recorte capaz de revelar a multiplicidade técnica, estética e simbólica do artista. O projeto expográfico expande a ideia tradicional de obras em parede e propõe uma experiência não linear, com originais, reproduções, obras suspensas, projeções, esculturas e elementos cenográficos inspirados no repertório visual de Elifas.

O estudo preliminar prevê, entre outros recursos, painel de entrada com obra tridimensionalizada, parede de textos, escultura do artista, sala de audiovisual videos onde Elifas fala em primeira pessoa como foi o processo de criação de capas icônicas de sua carreira.

“Além da Moldura não é somente literal no sentido de romper com a beleza bidimensional de seus trabalhos; é um conceito simbólico e filosófico para revelar um artista que pensava e desenvolvia suas obras com uma radicalidade imagética diferenciada”, afirma o curador Batman Zavareze.

Conhecido amplamente por suas capas de discos, Elifas ajudou a construir a memória visual da música brasileira. Suas imagens embalaram obras fundamentais da MPB, mas também traduziram em cor, desenho e composição gráfica a força de artistas, movimentos e personagens centrais da cultura nacional. Como sintetiza o projeto da exposição, Elifas “ilustrou por décadas o imaginário do povo brasileiro”, em uma produção que combina capas icônicas, cartazes de teatro, programas de televisão, cenografias, esculturas e obras gráficas.

O percurso da mostra destaca também a dimensão política de sua obra. Durante a ditadura militar, Elifas afirmou seu traço como instrumento de resistência, denúncia e defesa da democracia, criando imagens fortes, diretas e poéticas para revistas, jornais e publicações alternativas. Seu trabalho combinou lirismo, indignação, humor, crítica social e consciência histórica, sem perder a sofisticação gráfica e a potência comunicativa.

Para Bento Andreato, filho do artista e diretor do Instituto Elifas Andreato, a exposição reforça a atualidade de uma obra que segue dialogando com o Brasil contemporâneo: “Elifas nunca separou arte, cultura popular e cidadania. Ele desenhou o Brasil não como observador distante, mas como alguém profundamente implicado em sua história, em suas dores, em sua música e em sua esperança. Levar essa obra à São Paulo é uma forma de reafirmar sua presença viva na cultura brasileira”.

Segundo Bento, a mostra também cumpre um papel de preservação e transmissão de legado. “O Instituto Elifas Andreato tem o compromisso de cuidar dessa memória e, ao mesmo tempo, colocá-la em movimento. A exposição permite que novas gerações encontrem Elifas não apenas como autor de imagens icônicas, mas como um artista múltiplo, inquieto, experimental e profundamente comprometido com seu tempo”.

Além da curadoria assinada por Batman Zavareze, a exposição tem projeto expográfico desenvolvido por Susana Iacevitz, da Cenografia.Net. Mais do que uma retrospectiva, “Elifas Andreato — Além da Moldura” propõe uma leitura sensorial e contemporânea de uma obra que permanece em expansão. Como sintetiza o texto curatorial, “Elifas Andreato foi um artista multidisciplinar, muito além da moldura na qual muitos tentaram enquadrá-lo”.

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