A camisa da seleção da Bélgica usada no último jogo contra Senegal é mais um desses uniformes que vão muito além do futebol. Desenvolvida pela Adidas, a peça presta homenagem a um dos maiores nomes da arte belga, o pintor surrealista René Magritte, transformando referências de suas pinturas em uma identidade visual diferenciada para a equipe.
Em vez de adotar as tradicionais cores da seleção, vermelho, amarelo e preto, o uniforme adota uma combinação de azul-claro, rosa e detalhes em preto. A escolha foge do convencional justamente para refletir o universo criado por Magritte, artista conhecido por desafiar a percepção da realidade em obras que se tornaram símbolos do surrealismo no século XX.
A estampa reúne diversos elementos inspirados na linguagem visual do pintor. O azul predominante faz referência aos céus presentes em muitos de seus quadros, especialmente aqueles que retratam o entardecer e o início da noite. Já as formas circulares espalhadas por toda a camisa reinterpretam figuras recorrentes em sua produção, como na obra The Voice of Space (1931).
Veja também: Quem são os 10 pintores mais importantes do Surrealismo
Outro detalhe especial está escondido na parte interna da gola. Ali aparece a frase “Ceci n’est pas un maillot” (“Isto não é uma camisa”), uma brincadeira direta com a célebre inscrição “Ceci n’est pas une pipe” (“Isto não é um cachimbo”), presente na pintura A Traição das Imagens, uma das obras mais conhecidas de Magritte.
O artista utilizava essa frase para provocar reflexões sobre a diferença entre um objeto e sua representação. Ao adaptar a expressão para um uniforme de futebol, provoca a ideia de que a peça também funciona como uma manifestação cultural, conectando esporte, arte e identidade nacional.
O resultado é uma camisa que chama atenção pelo visual contemporâneo e pela riqueza de significados. Em vez de apenas vestir os jogadores, o uniforme leva aos gramados uma homenagem ao legado de René Magritte e à tradição artística da Bélgica, mostrando como o design esportivo também pode contar boas histórias.
Veja também: Camisa do Bahia resgata história do cinema e do design gráfico brasileiro