O Clube de Regatas do Flamengo passou recentemente por uma transformação de marca que vai além da atualização de sua identidade visual. O clube, que reúne mais de 45 milhões de torcedores, apresentou um novo posicionamento de negócios e passa a se estruturar como uma plataforma de sportainment, conceito que amplia sua atuação para diferentes experiências, conteúdos e formas de relacionamento com a torcida.
A mudança parte de uma constatação: a força cultural do Flamengo já ultrapassou há muito tempo os limites do campo. Ao mesmo tempo em que o clube cresceu em número de torcedores, propriedades, iniciativas e negócios, sua arquitetura de marcas também se tornou mais complexa. Cerca de 24 marcas e submarcas foram criadas ao longo dos anos de maneira orgânica, sem necessariamente seguir uma estratégia unificada.
O novo posicionamento busca organizar esse ecossistema e estabelecer uma lógica mais clara para as diferentes áreas de atuação do clube. O portfólio passa a ser estruturado em três grandes frentes de negócio: Esportes, Entretenimento e Legado & Formação. Cada ativo passa a desempenhar uma função específica dentro dessa estrutura, mantendo sua identidade e, ao mesmo tempo, estabelecendo uma relação mais clara com a marca Flamengo.

O conceito de sportainment apresentado pelo clube também modifica a maneira como a marca se relaciona com o torcedor. A proposta é que o Flamengo esteja presente de forma contínua, e não apenas durante os 90 minutos de uma partida. Conteúdo, entretenimento, produtos, modalidades esportivas, formação e outras iniciativas passam a integrar uma mesma estratégia de marca.
A nova arquitetura também estabelece critérios para a utilização dos principais elementos institucionais do Flamengo. Escudos e monograma foram mantidos como componentes centrais, enquanto as submarcas passaram por uma reorganização que define sua relação com o Brasão do Futebol, a Insígnia do Remo ou o Monograma CRF. A estrutura passa a orientar também a hierarquia de licenciamentos do clube.
A transformação de posicionamento vem acompanhada de uma nova identidade visual, desenvolvida pela agência anacouto. O trabalho procura atualizar a expressão da marca sem romper com elementos reconhecidos pela torcida. As tradicionais listras rubro-negras, por exemplo, recebem uma interpretação em gradiente, com uma transição entre vermelho e preto que acrescenta sensação de movimento ao sistema visual.
Outros recursos também ganham novas funções na comunicação. Fotografias em alto contraste sobre fundo vermelho fazem referência ao icônico bandeirão do Zico, enquanto efeitos de longa exposição aproximam imagens esportivas de uma linguagem mais artística. A tipografia passa a explorar diferentes perspectivas e movimentos, enquanto o urubu, um dos principais símbolos do clube, é redesenhado para assumir maior presença em peças de comunicação e produtos.
A identidade também será incorporada fisicamente à sede do Flamengo. O complexo, que ocupa um quarteirão inteiro, passa a receber elementos da nova linguagem visual, levando o reposicionamento para além das campanhas e materiais de comunicação.
Para Ana Couto, CEO da anacouto, a reorganização das marcas foi um dos pontos centrais do projeto. “Organizamos a plataforma de sportainment a partir da lógica de unidades de negócio. Cada marca do portfólio passou a ter um papel estratégico definido, equilibrando a força da marca-mãe com a autonomia das submarcas”, afirma.
O novo posicionamento é sintetizado pela expressão “Flamengo sem intervalo”. A ideia funciona como conceito central da campanha e traduz a intenção de apresentar o clube como uma marca presente na vida do torcedor para além dos dias de jogos.
A campanha conta com um filme desenvolvido pela anacouto e terá como principais canais de veiculação a Flamengo TV e as redes sociais do clube. A proposta é apresentar uma nova etapa da marca a partir da combinação entre sua história, sua dimensão cultural e uma estrutura de negócios preparada para diferentes frentes de atuação.
“A big idea ‘Flamengo sem intervalo’ traduz exatamente o que buscamos: uma marca que não depende do apito final para se conectar com o torcedor”, explica Ana Couto.
Para além de uma renovação estética, o projeto reorganiza a maneira como o Flamengo apresenta e administra suas diferentes marcas e propriedades. O novo sistema procura dar unidade a um ecossistema que cresceu junto com o clube e criar uma estrutura capaz de acompanhar a expansão de seus negócios, mantendo no centro a relação construída ao longo de décadas com a torcida.