O minimalismo e a estética perfeita já estão saturados no mundo digital. A partir disso, um movimento irreverente vem ganhando força e redefinindo os limites do design gráfico. O chamado “New Ugly” tem origem na vibrante cultura underground da China e com pitadas de outros países do Leste Asiático, como o Japão. Mas afinal, qual o significado do New Ugly e por que ele está fazendo tanto barulho?
A filosofia da imperfeição intencional
O “New Ugly” é comumente visto como um conjunto de escolhas visuais desagradáveis. Mas na verdade, existe uma postura filosófica deliberada na base do movimento. Emergindo no final da década de 2010 com princípios no design gráfico tradicional chinês, o movimento rejeita ativamente os visuais harmoniosos e polidos. Em vez de buscar uma beleza limpa, ele foca no exagero proposital, com aparentes tons de caos e uma honestidade visual que evoca um conceito mais cru.
O estilo do New Ugly é inconfundível também pelas cores intencionalmente chocantes. Já a tipografia é desconstruída, com múltiplas fontes competindo pela atenção na mesma página, às vezes se sobrepondo ou parecendo posicionadas de forma “descuidada”. Enquanto os layouts são desequilibrados e desconsideram sistemas de grade convencionais em favor de um maximalismo sobrecarregado.
A China como fonte criativa
O New Ugly faz parte da ascensão da estética chinesa como força criativa global. Cada vez mais criações de diferentes setores vêm se inspirando nessa onda, mixando a simbologia milenar do país com toques mais modernos de suas invenções.
No universo dos games, essa influência é evidente no jogo Fortune Rabbit online. Nele, o personagem principal é o coelho da sorte, inspirado no calendário e no zodíaco chinês. Já Echoes of Yi: Samsara é um jogo que leva essa estética a outro patamar, trazendo o gênero da ação para as artes marciais sombrias e misturando com elementos da cultura tradicional chinesa.
Na moda não é diferente. Um exemplo foi a Paris Fashion Week de 2025, onde três grandes marcas chinesas — NEXY.CO, YINER e Laurèl — brilharam nas passarelas internacionais. Cada uma trouxe seu estilo próprio, mas todas com um toque do visual chinês. Enquanto no setor automotivo a BYD é um exemplo emblemático de como a estética chinesa pode estar profundamente ligada à identidade do produto. Os veículos da montadora apresentam um design muito próprio, com linhas fluidas, interiores futuristas e uma linguagem visual que os distingue claramente das marcas ocidentais.
Caos como manifesto
Ao abraçar o caos, a desconstrução e a “feiura” como instrumentos criativos, o New Ugly questiona quem define os padrões do bom gosto e por quê. Inspirado no charme bruto das capas de VHS piratas, nas embalagens de cores vibrantes e desiguais de lojas de conveniência asiáticas e nos cartazes de propaganda desconstruídos, o New Ugly resgata uma memória visual coletiva e a transforma em linguagem contemporânea.

Para marcas e criadores que desejam se conectar com esta tendência, entender a essência do New Ugly é importante. Afinal, para se destacar em meio a um mercado saturado de estéticas impecáveis, ousar ser imperfeito é a direção certa a seguir.