A artista brasileira Nina Pandolfo está inaugurando sua nova exposição “Portais”, que vai estar em cartaz entre os dias 17 de abril e 2 de agosto no Farol Santander São Paulo. A exposição vai ocupar os andares 19 e 20, com pinturas, esculturas, instalações e ambientes interativos que convidam o público a atravessar uma jornada sensorial entre imaginação, memória e fantasia.
Partindo da ideia de portais como símbolos de travessia e transformação, a mostra propõe conexões entre diferentes dimensões da experiência humana. Com seu universo visual lúdico, delicado e autoral, Nina apresenta, desde o primeiro portal da exposição, que reúne obras inéditas e trabalhos consagrados, uma experiência que convida o visitante a desacelerar e atravessar passagens simbólicas entre o cotidiano e dimensões de encantamento.
A partir de então, pelo caminho, surgem jardins mágicos, rios que desafiam a lógica natural, criaturas híbridas, árvores simbólicas que evocam abrigo e origem, além das icônicas meninas de olhos expressivos, reafirmando a potência do imaginário de Nina e criando um espaço de contemplação e descobertas.
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Entre os principais destaques está a instalação central construída em torno de uma grande árvore imaginária, que se desdobra como eixo narrativo da exposição e conecta os dois ambientes da mostra. Ao redor dela surgem obras que evocam liberdade, transformação e pertencimento, como um rio pictórico criado com a técnica de pouring, esculturas que parecem saltar das telas e personagens que habitam paisagens oníricas.
“Portais nasce desse desejo de criar espaços onde as pessoas possam se reconectar com a imaginação, com a memória e com aquilo que não se explica, mas se sente. Cada obra é um convite para entrar em outros mundos, inclusive para dentro de si”, afirma Nina Pandolfo.
Animais que fizeram parte da vida de Nina Pandolfo também aparecem em “Portais”. Esculturas e pinturas homenageiam seus gatos, especialmente Rakim e Monalisa, companheiros de ateliê e fonte constante de inspiração. Logo na entrada, ocupando o térreo do edifício, destaca-se “Um amor sem igual”: uma escultura de gato revestida de pelúcia, com cerca de sete metros de comprimento e mais de dois de altura, dedicada a Rakim, que acompanhou a artista por 18 anos.
Interativo e acolhedor, o gato gigante se tornou uma de suas obras mais emblemáticas, evidenciando sua habilidade de transitar entre o íntimo e o monumental. Mais do que impacto visual, a obra atua como um gesto de afeto, convidando o visitante a atravessar limites e habitar, ainda que por instantes, um território onde realidade e sonho coexistem. Ao longo do percurso, uma segunda escultura dedicada à Monalisa completa esse núcleo.
Em outro momento do percurso, televisores antigos empilhados transformam memórias da infância de Nina, quando observava o pai consertar eletrônicos, em esculturas coloridas que celebram imaginação, tecnologia e afeto. Ambientes participativos também integram a experiência, como uma instalação que convida o público a entrar no universo da artista, dissolvendo as fronteiras entre obra e espectador.
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Uma carruagem formada por objetos, ferramentas e registros do ateliê revela fragmentos do processo criativo de Nina, reunindo memórias, experimentações e referências que marcaram sua trajetória artística. Croquis, desenhos antigos e esboços revelam o desenvolvimento de pinturas, figurinos e murais, enquanto instalações sensoriais exploram temas como identidade, memória e inconsciente.
O percurso termina em um ambiente imersivo que remete a uma gruta fantástica, onde sons e luzes evocam um encontro entre céu, mar e imaginação. “Portais” transforma dois andares do prédio em uma travessia sensível, na qual cada obra funciona como uma porta para narrativas ocultas e sonhos, propondo uma pausa no ritmo cotidiano e convidando ao encantamento nas pequenas coisas.
A mostra é viabilizada a partir de recursos da Lei Rouanet, do patrocínio do Santander, Esfera e Zurich, e o apoio da Hyundai, Karina Plásticos e Premier, e com produção da Holy Cow.