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Cinco curiosidades envolvendo a pintura ‘O Beijo’ de Gustav Klimt

A obra 'O Grito", de Gustav Klimt, fica no Museu Belvedere, em Viena, Áustria - Foto: Padamsphoto/Depositphotos.com

Poucas pinturas são tão reconhecíveis quanto O Beijo, de Gustav Klimt. Criada entre 1907 e 1908, durante a chamada Fase Dourada do artista, a obra combina detalhes em dourado, padrões decorativos e a representação de um casal envolvido em um abraço, enquanto o homem beija o rosto da mulher. Atualmente, ela está exposta no Museu Belvedere, em Viena.

A composição influenciada pelo Art Nouveau chama atenção pela maneira como Klimt transforma uma cena íntima em uma imagem marcada por formas, texturas e contrastes. O casal aparece envolto por um grande manto decorado, enquanto o fundo dourado praticamente elimina a sensação de profundidade.

‘O Beijo’ – Gustav Klimt (Google Cultural Institute/Reprodução)

Mas há muito mais por trás dessa pintura do que sua aparência imediatamente reconhecível. Conheça cinco fatos curiosos que permeiam uma das obras mais famosas de Klimt:

1. O uso do dourado veio de uma viagem à Itália

O Beijo é uma pintura a óleo que recebeu folhas de ouro, prata e platina. O uso desses materiais se tornou uma das características mais marcantes da chamada Fase Dourada de Klimt.

Essa técnica passou a ser usada depois de uma viagem realizada pelo artista à Itália em 1903. Em Ravena, Klimt visitou a Basílica de São Vital e ficou impressionado com os mosaicos bizantinos, especialmente pelo uso intenso do dourado e pela aparência plana das superfícies.

A experiência influenciou sua produção nos anos seguintes. Em O Beijo, o dourado ocupa grande parte da composição e cria uma atmosfera diferente daquela encontrada na pintura tradicional.

Os padrões geométricos do manto masculino e as formas orgânicas presentes na roupa da mulher também dialogam com tendências da Art Nouveau e do movimento Arts & Crafts. Elementos decorativos em espiral e referências a formas naturais aparecem combinados em uma composição que mistura diferentes influências artísticas.

2. Klimt foi acusado de fazer arte “pornográfica”

O Beijo surgiu pouco depois de um dos períodos mais controversos da carreira de Klimt. Antes de pintar a obra, o artista havia realizado uma série de pinturas para a Universidade de Viena. Os trabalhos provocaram fortes críticas e chegaram a ser classificados como “pornográficos” e como expressão de um “excesso de perversão”.

Essa polêmica contribuiu para consolidar a imagem de Klimt como um artista que não estava disposto a seguir determinadas convenções acadêmicas. Suas posições artísticas provocavam desconforto em setores mais conservadores da sociedade vienense. Ele respondeu às críticas com uma frase que ficou associada à sua postura diante da recepção de seu trabalho: “se você não pode agradar a todos com seus feitos e sua arte, agrade alguns”.

Pouco depois desse episódio, o artista apresentaria O Beijo ao público. A recepção seria bastante diferente daquela enfrentada pelas pinturas da Universidade de Viena.

3. O governo comprou a pintura antes de ficar pronta

O Beijo foi apresentada ao público pela primeira vez em 1908, durante a Kunstschau, em Viena. A exposição foi organizada no contexto das comemorações dos 60 anos do reinado do imperador Francisco José I. A pintura despertou grande interesse e acabou sendo adquirida pelo governo austríaco durante a própria exposição, mesmo antes de Klimt ter concluído completamente o trabalho.

O valor pago foi de 25 mil coroas, uma quantia considerada excepcional para a época. A compra fez com que a pintura permanecesse em Viena, onde continua até hoje, sem nunca ter saído. Atualmente, O Beijo faz parte do acervo da Österreichische Galerie Belvedere, instalada no Palácio Belvedere. A obra é uma das peças mais conhecidas da coleção e uma das principais referências do museu.

Visitantes apreciam e fotografam a pintura O Beijo, de Gustav Klimt, no Museu Belvedere, em Viena -Foto: igorgolovniov/Depositphotos.com

4. Ninguém sabe ao certo quem são os amantes

Tal qual acontece em tantos casos, como na pintura Mona Lisa, a identidade do casal representado em O Beijo nunca foi confirmada, o que abriu espaço para diferentes interpretações ao longo dos anos.

Uma das teorias mais conhecidas sugere que o próprio Klimt teria servido de modelo para a figura masculina e sua companheira, Emilie Flöge, para a figura feminina. Apesar da popularidade dessa hipótese, não existem registros que comprovem que os dois tenham realmente posado para a pintura.

Outra possibilidade relaciona a personagem feminina à modelo conhecida como Red Hilda. Ela apresenta semelhanças com outras figuras femininas retratadas por Klimt, como as presentes em Senhora com Boá de Chapéu e Penas, Peixe-Dourado e Danaë.

As interpretações também chegam à mitologia. Alguns estudiosos relacionam a cena ao momento em que Apolo beija Dafne, personagens das Metamorfoses, de Ovídio.

Há também uma leitura que associa a pintura ao mito de Orfeu e Eurídice. Nessa interpretação, Klimt teria representado o instante em que Orfeu se volta para tocar Eurídice e acaba perdendo-a para sempre. A aparência parcialmente translúcida da mulher poderia ser entendida como uma referência ao seu desaparecimento.

Nenhuma dessas interpretações foi confirmada pelo artista, mantendo a identidade dos personagens como uma das questões mais curiosas relacionadas à obra.

5. A pintura é muito maior do que parece nas fotos

Reproduzida em livros, pôsteres, telas de computador e redes sociais, O Beijo pode parecer uma pintura relativamente pequena. Ao ser vista pessoalmente, porém, sua dimensão causa uma impressão bastante diferente.

A obra mede 180 por 180 centímetros, formando um quadrado de 1,8 metro de cada lado. O tamanho, combinado ao uso de folhas metálicas e à quantidade de detalhes, faz com que a experiência de observar a pintura seja diferente daquela proporcionada por uma reprodução.

No Museu Belvedere, em Viena, é possível observar de perto os padrões geométricos, as formas orgânicas, as texturas e os detalhes da aplicação dos materiais. Para quem conhece a obra principalmente por imagens digitais, a escala pode ser uma das características que mais chamam atenção.

Dicas de livros:

Fonte: CNN, MentalFloss

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