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Soluções de inteligência artificial estão mudando a forma de criar e jogar jogos digitais

Foto: Ella Don (Unsplash)

A indústria de jogos digitais atravessa uma das transformações mais profundas de sua história, com a inteligência artificial entrando de vez nos fluxos de criação. Pesquisa do Google Cloud com 615 desenvolvedores em cinco países revelou que 90% deles já utilizam IA no trabalho — e 97% acreditam que a tecnologia está remodelando o setor de forma estrutural.

Para 95% dos entrevistados, a principal contribuição da IA é a redução de tarefas repetitivas, liberando equipes para questões mais estratégicas e criativas. Os ganhos aparecem em testes e balanceamento de jogo (47%), localização e tradução (45%) e geração de código (44%), mas 36% dos desenvolvedores já utilizam a tecnologia diretamente no trabalho criativo, como design de níveis dinâmicos, animações e escrita de diálogos.

O movimento acompanha iniciativas recentes de grandes empresas do setor: a Adobe, por exemplo, integrou mais de 50 ferramentas da Creative Cloud ao Claude, permitindo que usuários realizem edições e criações diretamente por chat, sem precisar alternar entre programas. A convergência entre IA e ferramentas criativas aponta para um cenário em que o design de experiências digitais — incluindo jogos — tende a se tornar cada vez mais acessível e iterativo.

O debate sobre IA no desenvolvimento de jogos, porém, não pode ser dissociado de uma questão anterior: para quem o jogo é feito. A resposta que tem guiado as empresas mais bem-sucedidas do setor é que o design deve partir do jogador, não da tecnologia.

Esse princípio está no centro da trajetória da Spribe, desenvolvedora que em 2018 identificou uma lacuna no mercado global de cassinos online. Num setor dominado por slots e jogos de mesa com décadas de tradição, faltava espaço para experiências interativas e sociais que refletissem os hábitos do público mais jovem. “Não havia muita inovação em termos de engajamento social e de jogabilidade interativa”, explicou David Natroshvili, CEO da empresa, ao iGaming Business.

A resposta foi criar o Aviator, o primeiro crash game multiplayer verdadeiro do mercado regulamentado. Interface minimalista, rodadas de menos de 30 segundos e visibilidade das apostas de outros jogadores em tempo real formaram uma experiência que os formatos tradicionais não ofereciam.

O sucesso do título expõe um paradoxo do design contemporâneo: quanto mais simples a interface, mais sofisticada precisa ser a tecnologia por trás dela. O sistema Provably Fair — que garante resultados aleatórios auditáveis por criptografia — é invisível ao usuário, mas é ele que sustenta a confiança no produto.

A Spribe chegou a 42 milhões de usuários ativos mensais, 350.000 apostas por minuto e presença em mais de 5.000 operadoras globais. Dados da KTO divulgados em janeiro de 2026 mostram o jogo com 10,9% de popularidade entre os títulos da plataforma e média de 97 rodadas diárias por jogador — a KTO opera sob a Portaria SPA/MF nº 2.093/2024.

O apelido “jogo do aviãozinho” registrou mais buscas do que o nome oficial ao longo de 2024, segundo o mesmo levantamento. É um indicativo de até onde a penetração cultural do título chegou no país desde a regulamentação do setor pelo Ministério da Fazenda.

Na avaliação de Natroshvili, a IA é um dos pilares da estratégia de desenvolvimento da Spribe para os próximos anos — tanto para personalização de experiências e recomendação de jogos quanto para detecção de fraudes. “Nunca vemos o Aviator como nossa realização final — é apenas o começo”, afirmou o CEO. Para usuários, parece haver motivo para o interesse: o Aviator da Spribe registrou multiplicador máximo de 6.352x em dezembro de 2025 na plataforma da KTO, segundo informações no site.

Esse posicionamento ecoa o que a pesquisa do Google Cloud confirma: 89% dos desenvolvedores percebem mudanças nas expectativas dos jogadores, que passam a buscar experiências mais dinâmicas e personagens não jogáveis mais inteligentes. No cenário brasileiro, onde 82,8% da população joga e o acesso mobile domina, a combinação entre IA, design enxuto e mecânicas sociais representa uma das fronteiras mais ativas do entretenimento digital.

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