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Exposição inspirada na arte de Joaquín Torres García reúne obras de 72 artistas

Reprodução da obra América Invertida, 1943. Crédito: Museo Torres García (Divulgação)

Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, a exposição ‘Joaquín Torres García – 150 anos’ propõe um olhar de integração cultural em um cenário marcado por divisões e polarizações nas Américas. Com entrada gratuita, a mostra reúne mais de 500 itens e estabelece um diálogo entre a obra do artista uruguaio e produções de 72 artistas brasileiros influenciados por seu pensamento.

A exposição apresenta obras, documentos, manuscritos, publicações, brinquedos de madeira e materiais pedagógicos que ajudam a compreender a dimensão artística e intelectual de Torres García, considerado um dos nomes centrais da modernidade latino-americana. O conjunto revela sua produção plástica e também seu interesse por educação, símbolos universais e pela construção de uma identidade cultural a partir do Sul.

Um dos eixos conceituais da mostra é o célebre Mapa Invertido (1943), imagem que se tornou referência ao questionar a centralidade histórica do Norte e propor um reposicionamento simbólico da América do Sul. A obra funciona como ponto de partida para reflexões sobre pertencimento, escuta e circulação cultural, temas que atravessam toda a exposição.

O projeto curatorial enfatiza o Universalismo Construtivo, conceito desenvolvido por Torres García que reconhece a existência de formas e símbolos comuns às diferentes culturas, sem apagar suas singularidades. A proposta rejeita hierarquias culturais e aposta na convivência entre tradições diversas como base para um pensamento universal construído a partir da pluralidade.

Esse pensamento teve forte impacto no Brasil e influenciou movimentos como a arte concreta e neoconcreta. Na exposição, esse diálogo aparece em trabalhos de artistas como Alfredo Volpi, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Rubens Gerchman e Anna Bella Geiger, entre outros. As obras reforçam a permanência das ideias de Torres García no debate artístico contemporâneo.

A expografia, assinada por Stella Tennenbaum, acompanha esse conceito ao criar um percurso contínuo pelos espaços do CCBB. Inspirada simbolicamente no Tratado de Tordesilhas, a linha que atravessa a mostra não funciona como fronteira fixa, mas como convite à reflexão sobre deslocamentos, encontros e trocas culturais.

Selecionada no Edital CCBB 2023–2025, exposição fica em cartaz no CCBB São Paulo, na Rua Álvares Penteado, 112, no Centro, até 9 de março de 2026 e segue em itinerância para Brasília, em março de 2026, e Belo Horizonte, em julho do mesmo ano. A entrada é gratuita.

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