Nas últimas semanas, as redes sociais foram tomadas por uma enxurrada de ilustrações em estilo anime, muitas delas inspiradas no traço do Studio Ghibli — estúdio responsável por obras-primas como A Viagem de Chihiro e O Menino e a Garça.
Por trás dessa explosão de imagens está a mais nova ferramenta de geração por inteligência artificial do ChatGPT, capaz de criar artes digitais em questão de segundos. Porém, o fenômeno não foi recebido com entusiasmo por todos.
Enquanto usuários se divertiam transformando suas fotos em cenas estilo desenho animado, artistas e ilustradores se manifestaram contra o que consideram ser uma banalização da arte — questionando os limites éticos da IA e o futuro da criação humana em um mundo cada vez mais automatizado.
O próprio Hayao Miyazaki, cofundador do Studio Ghibli, já havia expressado sua repulsa pela arte gerada por máquinas em um vídeo de 2016, classificando-a como “um insulto à própria vida”.
Ao passo que a OpenAI lida com a sobrecarga de servidores e impõe limites ao uso gratuito, o debate se expande: até que ponto a tecnologia deve substituir o trabalho artístico? E, principalmente, quem paga o preço quando a arte vira um produto de consumo instantâneo?
O artista Matheus Miguel publicou uma arte e um texto em sua conta @poesianasestrelas no Instagram. “A desenfreada massificação de estilos em apropriação indébita por programas de inteligência artificial são demônios que destroem o poder artístico bravio da humanidade.”, citou o artista
O ilustrador Laercio Cubas Jr. também deixou a sua manifestação nas redes sociais. “Como ilustrador, me choca ver esse tipo de coisa e perceber o quanto somos desvalorizados. Já tem gente vendendo “arte” feita por IA, apropriando-se do traço de artistas sem qualquer remorso. É revoltante.” afirmou ele.
A ilustradora Paula Villar publicou uma série de posts em suas redes sociais, com frases e reflexões questionando as big techs e como elas exploram o trabalho de artistas para treinar suas plataformas de IA generativa.
Apesar dos avanços da tecnologia, que oferecem novas possibilidades em diversos segmentos, as manifestações dos artistas revelam uma preocupação legítima: preservar a arte como expressão autêntica da experiência humana e como fonte de sustento para quem dedica a vida a essa vocação.